Educação

Escolas em San Bernardino: visão geral e a experiência de um pai de cinco filhos

Como é estudar em San Bernardino, no Paraguai: rede pública, opções privadas subvencionadas, etapas do ensino, custos e o relato de um pai brasileiro com cinco filhos matriculados na cidade.

Escolas em San Bernardino: visão geral e a experiência de um pai de cinco filhos
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Uma das principais preocupações de quem pensa em morar no Paraguai com a família é a educação dos filhos.

Existem boas escolas em San Bernardino? São públicas ou particulares? Como funciona o sistema de ensino? Quanto custa estudar? Crianças brasileiras conseguem acompanhar as aulas em espanhol?

Depois de pesquisar as instituições da cidade e viver essa experiência na prática com cinco filhos, preparei uma visão geral para ajudar outras famílias, principalmente brasileiros e estrangeiros que estejam pensando em morar em San Bernardino.

Visão geral das escolas em San Bernardino

San Bernardino não tem a mesma quantidade de escolas encontrada em cidades maiores, como Assunção. A rede de ensino é formada principalmente por escolas públicas, distribuídas entre o centro e diferentes bairros do distrito.

Entre as instituições estão Juan Enrique Pestalozzi, Ramón I. Cardozo, Defensores del Chaco, Adela Speratti, Máximo Jiménez Hernández, Sigfrido Gross, Milner Buey Cataldo, Elvira R. de Balbuena e Cristóbal Colón.

A única opção particular identificada na cidade é o Colegio Privado General Bernardino Caballero, que funciona no modelo privado subvencionado.

A cidade também conta com o Colegio Técnico San Bernardino, uma instituição pública que oferece Educação Escolar Básica e Bachillerato Técnico nas áreas de Contabilidade e Hotelaria e Turismo.

Um pouco mais distante, a cerca de 20 minutos do centro de San Bernardino, existe também a Escuela Básica N.º 1203 Patria, localizada em Altos. Ela também funciona como escola privada subvencionada.

Pátio interno da Escuela Básica N° 1232 General Bernardino Caballero, em San Bernardino, com quadro do calendário escolar e bandeiras do Paraguai nas colunas
Pátio interno de uma escola pública de San Bernardino, com o quadro do calendário escolar à vista.

Como funciona o ensino no Paraguai

Para quem vem do Brasil, os nomes das etapas escolares podem causar alguma confusão no início.

De maneira simplificada, o sistema é organizado assim:

  • Preescolar, equivalente à pré-escola;
  • 1º ao 9º grado, correspondentes à Educação Escolar Básica;
  • 1º, 2º e 3º curso, correspondentes ao Ensino Médio brasileiro.

Quando uma escola informa que atende até o 3º curso, significa que ela oferece aulas até o último ano do Ensino Médio.

Escola pública, particular e particular subvencionada

No Paraguai, as instituições de ensino podem ser oficiais, privadas ou privadas subvencionadas.

Uma escola oficial é pública e administrada pelo Estado. Já uma escola privada é administrada por uma instituição particular e depende principalmente das mensalidades pagas pelas famílias.

A escola privada subvencionada também possui administração particular, mas recebe algum tipo de apoio financeiro do governo, que pode incluir recursos para o funcionamento ou professores pagos pelo Estado.

Isso não significa que a escola seja gratuita. Ela pode cobrar matrícula, mensalidade e outras contribuições. Porém, como parte das despesas é financiada pelo governo, os valores costumam ser mais acessíveis do que os cobrados por uma escola totalmente particular.

É o caso do Colegio Privado General Bernardino Caballero.

A visão de um pai de cinco filhos em San Bernardino

Meus cinco filhos estudam no Colegio Privado General Bernardino Caballero.

Tenho um filho de 8 anos, duas meninas de 11 anos, uma filha de 14 anos e um filho de 17 anos. Isso me permite observar a escola em diferentes etapas, desde os primeiros grados até o Ensino Médio.

Com base na nossa experiência, considero a escola de altíssima qualidade, principalmente quando avaliamos o conteúdo oferecido, o acolhimento, as atividades e o valor cobrado.

A escola atende desde a pré-escola até o 3º ano do Ensino Médio. Meus filhos mais novos começaram a estudar ali a partir do 1º grado, e meu filho mais velho deverá cursar o 3º curso no próximo ano.

Uma grade de matérias bastante ampla

A escola possui uma grade ampla, com disciplinas como espanhol, matemática, biologia, química, guarani, inglês e alemão.

Além das matérias tradicionais, existem conteúdos voltados para situações práticas da vida.

Meu filho de 8 anos, por exemplo, já tem aulas relacionadas à saúde, à família e à convivência. Nessas aulas, as crianças aprendem conceitos básicos de higiene, respeito, comportamento, como tratar bem outras pessoas e como não invadir o espaço dos demais.

As meninas de 11 anos têm conteúdos introdutórios de economia. Elas aprendem noções básicas sobre dinheiro, como utilizá-lo, como economizar e como cuidar melhor dos próprios recursos.

Nas aulas relacionadas à saúde, estudam higiene de maneira mais aprofundada, doenças, prevenção e cuidados básicos importantes para a vida.

Conforme os alunos avançam nos grados, esses temas se tornam mais completos. Os maiores estudam com maior profundidade questões relacionadas às doenças, à prevenção e aos cuidados pessoais.

Não é apenas uma preparação para provas. Existe uma preocupação em transmitir conhecimentos que as crianças e os adolescentes realmente poderão utilizar durante a vida.

A escola também trabalha fortemente valores como disciplina, responsabilidade e civilidade. Os alunos fazem fila para entrar, cantam o hino e aprendem a respeitar a organização da escola. Os maiores também ajudam os menores, criando uma estrutura que incentiva a colaboração, o respeito e o senso de responsabilidade.

Atividades artísticas e culturais

O colégio mantém um convênio com o Centro Cultural Casa Hassler.

Por meio dessa parceria, os alunos podem participar de atividades como dança, música, violão e outras aulas artísticas.

Esse contato com a arte complementa o ensino tradicional e oferece às crianças oportunidades de descobrir novos interesses e desenvolver diferentes habilidades.

Esportes no Club Náutico

Outro diferencial é o convênio com o Club Náutico San Bernardino, que fica atrás da escola.

As crianças realizam atividades de Educação Física nas dependências do clube, utilizando uma estrutura que dificilmente estaria disponível dentro de uma escola de pequeno porte.

Além das atividades esportivas, o colégio organiza passeios para diferentes lugares e mantém um calendário bastante movimentado, com festas, apresentações, comemorações e eventos escolares.

Sempre existe alguma atividade sendo preparada pela escola, pelos professores ou pelas famílias.

Participação dos pais

Um dos pontos que mais nos chamou a atenção foi a participação das famílias.

Os pais são bastante presentes nas atividades e no cotidiano do colégio. Eles colaboram com eventos, festas, materiais e projetos realizados ao longo do ano.

Essa participação cria uma boa interação entre os próprios pais e também entre as crianças.

Para uma família que acabou de chegar a uma nova cidade e a um novo país, essa convivência faz muita diferença. Ela ajuda não apenas na adaptação escolar, mas também na criação de amizades e na integração com a comunidade local.

Como os estrangeiros são recebidos

Nossa família brasileira foi extremamente bem recebida.

A escola já possui experiência com alunos estrangeiros. Existem famílias alemãs, francesas, paraguaias e, agora, também a nossa família de brasileiros.

No geral, professores, funcionários, pais e alunos conseguem entender razoavelmente bem o português. Quando alguém não entende alguma coisa, utiliza um tradutor ou procura outra maneira de se comunicar.

A equipe sempre foi solícita, paciente e aberta às necessidades dos nossos filhos.

Naturalmente, estudar em outro idioma exige um período de adaptação. Porém, em nenhum momento nossos filhos foram deixados de lado por ainda não falarem espanhol com fluência.

Quanto tempo meus filhos levaram para se adaptar?

Cada criança possui uma personalidade diferente. Por isso, o tempo de adaptação também variou bastante.

Filho de 8 anos

Meu filho de 8 anos levou aproximadamente três semanas para estar bem adaptado.

Nesse período, já conseguia se comunicar com os colegas, brincar tranquilamente e receber amigos da escola em nossa casa.

Depois de aproximadamente quatro ou cinco meses, começou a falar espanhol com tranquilidade. Ainda não estava completamente fluente, mas já conseguia se comunicar, brincar, participar das aulas e explicar o que precisava.

Meninas de 11 anos

As meninas de 11 anos levaram cerca de um mês para se adaptar completamente.

Já na segunda semana elas tinham amigas. Porém, para se acostumarem com a professora, a rotina, o idioma e o ambiente, precisaram de aproximadamente um mês.

Depois de cinco ou seis meses, já estavam falando quase tudo em espanhol e se comunicando normalmente.

Filha de 14 anos

Minha filha de 14 anos é bastante tímida e prefere ficar mais reservada. Por causa da personalidade dela, o processo levou um pouco mais de tempo, aproximadamente dois meses.

Quando fez uma grande amiga, que acabou se tornando uma das melhores amigas da vida dela, tudo mudou rapidamente. Ela passou a se sentir muito mais confortável e integrada.

Depois de aproximadamente sete meses, já conseguia se comunicar completamente em espanhol, sem grandes dificuldades.

Filho mais velho

Meu filho mais velho entrou na escola com 16 anos e hoje está com 17.

Ele já havia feito cursos de espanhol, por isso sua adaptação foi muito rápida. Em três ou quatro dias, já estava integrado aos colegas e à rotina escolar.

Existe ainda um detalhe importante: os outros filhos começaram no início do ano letivo, enquanto ele permaneceu por mais algum tempo na escola anterior e entrou no colégio paraguaio no meio do ano.

Mesmo chegando com as turmas já formadas, foi muito bem recebido e conseguiu se integrar rapidamente.

Mensalidade, matrícula e livros

Outro ponto muito positivo é o custo.

Nos anos mais caros, a mensalidade fica em cerca de Gs. 400.000 por criança, além de uma matrícula de aproximadamente Gs. 300.000, paga no ingresso.

Como o colégio é subvencionado, boa parte dos livros é fornecida pelo governo. Em 2026, gastamos pouco mais de Gs. 150.000 por criança com livros complementares para todo o ano.

Também existem pequenas contribuições para impressões, materiais, festas, uniformes, roupas para apresentações, passeios e atividades específicas.

Não tenho o valor exato dos uniformes, mas foram bem mais baratos do que a média que estávamos acostumados a encontrar no Brasil.

Mesmo somando esses gastos, consideramos o custo muito acessível diante da qualidade do ensino e da quantidade de atividades oferecidas.

Nossa conclusão

Antes de mudar para o Paraguai, uma das nossas maiores preocupações era a educação dos filhos.

Não sabíamos como eles seriam recebidos, quanto tempo levariam para aprender espanhol, se conseguiriam acompanhar as matérias ou se teriam dificuldades para fazer amigos.

Hoje, podemos dizer que a adaptação foi muito melhor do que imaginávamos.

Cada filho teve seu próprio tempo. Alguns se adaptaram em poucos dias, enquanto outros precisaram de algumas semanas ou meses. Porém, todos fizeram amigos, aprenderam espanhol, participaram das atividades e encontraram seu espaço dentro da escola.

San Bernardino não possui uma grande variedade de escolas particulares. A maior parte das instituições da cidade é pública, e o General Bernardino Caballero é a principal opção privada subvencionada da cidade.

No nosso caso, a escola conseguiu atender cinco filhos de diferentes idades, personalidades e níveis escolares.

Encontramos ensino de qualidade, vários idiomas, atividades culturais, esportes, participação das famílias, acolhimento aos estrangeiros e valores muito acessíveis.

Este texto não é um ranking das escolas da cidade e também não significa que as outras instituições não sejam boas. É apenas o relato sincero da experiência de um pai brasileiro com cinco filhos estudando em San Bernardino.